Aids (HIV), História, Prevenção e Tratamento Contra a Aids

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Aids (HIV), História, Prevenção e Tratamento Contra a Aids

#Aids (HIV), História, Prevenção e Tratamento Contra a Aids
Detectada no final da década de 1970, a AIDS se configurou rapidamente como uma das maiores ameaças à saúde pública no século XX. A grande capacidade de contágio, a elevada taxa de mortalidade e um quadro clínico arrasador fizeram desse mal um dos mais graves problemas sanitários e sociais que o homem moderno tem a enfrentar.

A AIDS (sigla de acquired immune deficiency syndrome, ou síndrome da imunodeficiência adquirida) é provocada por uma infecção virótica que danifica o sistema imunológico humano. Em consequência, todo o organismo fica exposto a outras infecções, como a pneumocistose (forma de pneumonia rara que acomete também recém-nascidos debilitados), infecções cerebrais, diarreia persistente e herpes ou ainda certas variedades de câncer (como o sarcoma de Kaposi, um tipo de câncer de pele).

A infecção inicial é provocada pela contaminação direta do sangue por fluidos corpóreos que contenham o retrovírus HIV (sigla inglesa de "vírus da imunodeficiência humana"). Os retrovírus se reproduzem com a ajuda de uma enzima chamada transcriptase, que torna o vírus capaz de copiar (transcrever) suas informações genéticas em uma forma que possa ser integrada no próprio código genético da célula hospedeira. Assim, cada vez que a célula hospedeira se divide, produzem-se também cópias do vírus, cada uma das quais contém o código virótico.

A moléstia desenvolve-se em três fases. Inicialmente, o HIV entra na corrente sanguínea e provoca o desenvolvimento de anticorpos. Os sintomas aparecem na segunda fase: suores noturnos, febre, diarreia, perda de peso, cansaço e infecções incomuns. A AIDS é, a rigor, a terceira fase do processo, em que surgem as chamadas infecções oportunistas e, finalmente, sobrevém a morte. Os anticorpos do HIV podem ser detectados no organismo duas a oito semanas após a inoculação, mas o vírus fica incubado entre um ano e meio e cinco anos antes que surjam sintomas.

O vírus se transmite pelos fluidos corpóreos, particularmente o sangue e o sêmen. Assim, o contato social com o soropositivo não configura risco de contágio. Por outro lado, a pessoa que ignora estar contaminada pode transmitir a doença. A situação de risco mais importante é a relação sexual, especialmente a anal, pois a mucosa do reto é mais frágil que a da vagina e se rompe facilmente durante o coito, abrindo caminho à entrada do vírus na corrente sanguínea. Outro fator de risco são as transfusões de sangue. A terceira é a aplicação de injeções com agulhas contaminadas. E a quarta é a gestação; a mulher infectada muitas vezes contamina o feto.

Histórico - A doença foi detectada pela primeira vez em 1979, entre homossexuais masculinos americanos. Por apresentar sintomas parecidos com os de outras moléstias, pôde a princípio passar despercebida e assim expandir-se rapidamente. O primeiro diagnóstico foi feito em 1981, e em 1983 o vírus foi identificado na França, por uma equipe do Instituto Pasteur. Em 1985, criou-se o primeiro método para descobrir no sangue anticorpos do vírus da AIDS. Baseava-se na técnica denominada ELISA. Esse exame foi a princípio criticado por apenas indicar a presença ou ausência de anticorpos no sangue. Objetava-se que o exame poderia dar resultado positivo em pessoas que eram apenas portadoras do vírus. Contudo, uma experiência do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos indicou que cinco a dez por cento das pessoas com resultado positivo realmente contraem a doença.

No início da década de 1990 foi testada uma série de medicamentos contra o HIV. Nenhum deles, porém, mostrou-se capaz de curar a doença. O único que efetivamente conseguia retardar a evolução do mal -- embora ao custo de pesados efeitos colaterais, sobretudo a anemia -- era o AZT (azidovidina). Outro campo de pesquisa eram os remédios contra as infecções oportunistas. Nenhum deles, porém, apresentava resultados comprovadamente eficazes. Apesar dos esforços, a AIDS espalhava-se rapidamente e se previa que no ano 2000 o número de infectados pelo HIV poderia chegar a quarenta milhões em todo o mundo.

Em 1996 divulgou-se a descoberta de uma combinação de três medicamentos capaz de reduzir o ritmo de reprodução do HIV. O coquetel incluía dois bloqueadores de transcriptase reversa -- o já conhecido AZT e mais o 3TC -- e um inibidor de protease. Doentes precocemente submetidos a essa terapia se recuperaram fisicamente sem perda da qualidade de vida e os especialistas começaram a encarar a AIDS já não como incurável, mas como doença crônica.

Prevenção e tratamento - 
A grande arma contra a AIDS é a prevenção. As campanhas sanitárias recomendam, em primeiro lugar, relações sexuais estáveis, com um mínimo de parceiros. Em segundo, o uso de preservativos (camisinhas). Em terceiro, para injeções usar exclusivamente seringas e agulhas descartáveis ou esterilizadas e, nas transfusões, sangue testado. E, finalmente, que as mulheres infectadas evitem ter filhos. A outra arma é o diagnóstico precoce, para o que já se desenvolveram vários testes.

Tratamentos da AidsA luta contra a Aids, em 2003, deu alguns passos à frente com o desenvolvimento de três vacinas experimentais com boa chance de êxito em testes futuros. Uma delas é, de fato, apenas um vírus inofensivo que toma o lugar do HIV nas células, impedindo-o de proliferar. Essa boa notícia aliviou um pouco a frustração diante de uma outra vacina, que estava bem mais avançada nos testes, mas falhou ao ser aplicada em larga escala, envolvendo uma grande quantidade de pacientes. Ela foi administrada com substâncias encontradas por cientistas da Universidade Rockfeller, nos Estados Unidos, em 2002. Eles acreditavam ter descoberto porque o organismo de algumas pessoas consegue controlar a infecção do vírus HIV, causador da Aids. David Ho e seus colegas isolaram as alfa-defensinas 1, 2 e 3, substâncias produzidas por linfócitos CD8 T (células de defesa) do organismo de pessoas infectadas pelo HIV mas que nunca desenvolveram a doença. Já se sabia que os linfócitos desses pacientes tinham uma resposta imune especial, mas não se conhecia qual a substância responsável por isso. O achado poderia ajudar na criação de novas estratégias para barrar a ação do vírus da Aids. Em 2000, pesquisadores do laboratório Los Alamos, também nos EUA, chegam à conclusão de que os primeiros casos de Aids em seres humanos podem ter acontecido por volta de 1930. Eles analisaram a velocidade com que o vírus HIV, causador da doença, sofre mutações e examinaram as diferenças entre o genoma dos vírus dos macacos e o do vírus humano. Essa comparação mostra que cerca de 70 anos atrás o HIV já havia sofrido mutações que permitem a invasão do organismo humano.

Quanto aos novos tratamentos, houve um ligeiro avanço, com a descoberta de uma droga, batizada de T-20. Sua principal vantagem sobre as outras é ser capaz de atacar o HIV antes que ele entre nas células. Os testes mostram que a T-20 liquida 90% do vírus. Como isso acontece fora das células, quase não existem efeitos colaterais no tratamento.

Esse é o principal problema da mais eficiente arma disponível contra a Aids, um coquetel de drogas desenvolvido em 1995. Muito agressivo, ele provoca graves efeitos colaterais, causando danos aos rins, ao fígado e ao sistema imunológico. Além disso, pesquisas recentes indicam que essas drogas desaceleram o avanço da Aids, mas não conseguem interrompê-lo, e sua eficiência pode diminuir com as constantes mutações do HIV. A introdução do coquetel, porém, já permitiu a redução de morte e a diminuição no número de pacientes soropositivos com sintomas da doença em diversos países.

Para os maiores especialistas, inclusive os descobridores do vírus – o francês Luc Montagnier e o norte-americano Robert Gallo -, para encontrar a cura da Aids será preciso investir na descoberta de uma vacina. Vários protótipos estão sendo testados no mundo, ainda sem resultados conclusivos. Ao mesmo tempo, foi descoberta uma nova substância para combater a transmissão do HIV. A nevirapina, tomada duas horas antes do parto, previne o contágio dos bebês de mães soropositivas. A vantagem da droga é que uma única dose já faz efeito. O AZT, embora ofereça maior proteção aos recém-nascidos, tem de ser tomado durante toda a gravidez. Quando se aplica apenas uma dose de AZT, o número de infectados chega a ser o dobro em relação aos que usaram a nevirapina uma única vez. Como o tratamento com a substância é muito mais barato, aumenta a chance de combater o crescimento da Aids em regiões pobres, especialmente na África.

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