NACIONALISMO, GUERRAS, CRISES ECONÔMICAS E O MOVIMENTO DE INDEPENDÊNCIA DA CATALUNHA NA ESPANHA

 *Luciano Mende 

Em 1917 com o início da Revolução Russa e o fim da Primeira Guerra mundial em 1918, os movimentos de união das nações imposta pelo Governo da então União Soviética parecia ser uma tendência em toda a Europa Oriental.  Na Segunda Guerra Mundial a invasão de nações do Leste Europeu, onde a guerra foi mais sangrenta, teve cunho não só político e ideológico, mas se tornou uma corrida militar e tecnológica para conquistas até mesmo fora do globo terrestre, onde os protagonistas, não permitiam que a guerra acabasse mesmo com o fim dos combates e com o suposto inimigo em comum, neste caso a Alemanha Nazista de Hitler, derrotado. A guerra continuou com outro nome, agora como “Guerra Fria”, não mais em campos de batalhas, mas apenas ideológico com demonstrações do poderio bélico e tecnológico, nesta última demostrado em uma corrida armamentista desenfreada, além da corrida espacial à partir do fim da década de 1950, e se estendendo até o início da década de 1970.

Guerras fomentadas pelo ideologísmo dos blocos Capitalistas e Socialistas ocorreram em países de certa forma  insignificantes (Coréia 1953 e Vietnã de 1955 a 1975) do ponto de vista econômico, mais muito importantes do ponto vista estratégico para o avanço de cada bloco.

Com a dissolução da União Soviética e, praticamente, (pois ainda há nações socialistas como Cuba e Coréia do Norte e países com o sistema político Socialista como a China) com o fim do socialismo em 1991, o Leste Europeu  viu ressurgir várias nações com características e cultura própria fazendo com que aflorasse o nacionalismo nessas regiões. Com isso veio também às guerras civis, principalmente nos Balcãs, onde os conflitos pró-independência foram mais intensos, principalmente com a dissolução da Federação de Estados da antiga Iugoslávia. Estes foram episódios em que o nacionalismo predominava sobre os fatores econômicos para o separatismo dessas nações, tanto na Europa como na Ásia, assim como a independência de várias nações da África à partir da década de 1960.

Com a consolidação da Comunidade Europeia após a queda do socialismo, e depois com  implantação do Euro, a tendência passou a ser a formação de uma Europa de Estados Unificados por laços econômicos e livre acesso, pois a Europa estava em um período de grande crescimento econômico, e o poder econômico permitiu maior aproximação entre as nações europeias.

Com a crise Econômica que se iniciou em 2008 e se estende até hoje, surge novos movimentos separatistas na Europa. Neste caso notadamente econômico e não propriamente nacionalista. Ocorre principalmente em nações com grandes extensões territoriais, do ponto de vista europeu, como a Itália e a Espanha. O nacionalismo é apenas um detalhe, na Itália o movimento é para a separação no norte rico do Sul relativamente pobre. O que está ocorrendo na Espanha atualmente e em especial na Catalunha, que jamais reivindicaria sua independência política se a Espanha nunca fosse o centro de uma crise econômica atual. A questão da Catalunha é totalmente diferente da questão dos Países Bascos que pelo “nacionalismo” praticava o terrorismo, mesmo quando a Espanha estava em grande crescimento econômico.  Apesar de ser a região mais rica da Espanha a Catalunha não está livre da crise que assola o país. Aquela região tem o maior déficit público da Espanha e com sua independência talvez se aprofunde em uma crise até mesmo maior em que a Espanha se encontra, junto com a própria Catalunha. O povo catalão não deve se iludir com a ideia de que a independência vai livrá-los da crise, pois ela é de toda a Espanha e não apenas da Região de Castela ou qualquer outra região daquele país. Na Catalunha ser culto e civilizado não tem nada relacionado ao movimento de independência daquela Região Autônoma.

O melhor momento para a Catalunha reivindicar sua independência  seria em um período de grande crescimento econômico da Espanha, principalmente entre 1993 e 2000, pois o nacionalismo seria justificado e não a variáveis da crise Econômica que assola não só a Espanha, mas também a Catalunha e grande parte da Europa.

*Luciano Mende (25 de setembro de 2012)
Analista de Inteligência